| Empresa | Cia. Iguaçú de Café Solúvel |
| Setor | Alimentos |
| Data de Início | 30-nov-95 |
| Data de Término | 02-set-04 |
| Entrada | Mercado |
| Saída | Acionista controlador |
| Definições: Data de Início: primeiro lote de ações comprado. Data de Término: último lote de ações vendido. |
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Iniciamos o investimento nas ações de Café Iguaçú no final de 1995, quando o valor de mercado era menor que o caixa líquido da empresa. Este fato aliado ao pagamento de dividendos mínimos (12% sobre o capital social para as PNAs e 8% para as PNBs) tornava o investimento muito interessante. O retorno representado por esse dividendo mínimo em 1996 chegava a 45%, valor muito acima do custo de oportunidade (CDI) de 27% ao ano.
A Café Iguaçú é a 3ª maior exportadora de café solúvel do Brasil. O negócio consiste na transformação do café verde, comprado no mercado interno, em café solúvel, que é em grande parte exportado. As variáveis críticas da atividade são o câmbio e o spread entre os preços do café verde no mercado interno e do café solúvel no mercado externo.
No período de 2000 a 2002, os países produtores de café verde registraram safras recordes. O movimento criou uma superoferta mundial, derrubando o preço a meros US$ 28,00 por saca, o que representava uma queda de 64% em relação à média no período de 1990 a 2002. Apesar do movimento de preços do café verde ter forte influência sobre o preço do solúvel, a volatilidade do segundo tipo é mais branda. Dessa forma, o café solúvel sofreu queda menor, de 35% em relação à média em idêntico período. O resultado foi um enorme aumento no spread, que combinado à desvalorização cambial produziu melhora significativa na rentabilidade da empresa.
Apesar das características atraentes, a companhia padecia de dois problemas relevantes que inibiam o interesse do mercado de capitais em suas ações: (i) iliquidez extrema, (ii) era controlada por um investidor estrangeiro, a Marubeni Corporation, que como muitos controladores estrangeiros, possui baixo incentivo em trabalhar para manter as ações bem precificadas no mercado brasileiro, pois consegue obter financiamento mais barato em seu país de origem. Logo, embora a administração da companhia sempre se pautasse por elevados princípios éticos, a falta de interesse empresarial em abraçar um projeto de companhia de capital aberto nos levava a dispensar uma atenção redobrada a todos os atos que pudessem reduzir o valor do nosso investimento.
Atuamos pela primeira vez em 1998, quando votamos pela instalação de um conselho fiscal com a devida representatividade dos acionistas minoritários. Em março de 2002, protestamos junto a CVM contra a tentativa dos controladores de substituir o dividendo mínimo – grande atrativo da ação – por um dividendo prioritário de 3% sobre o patrimônio líquido. Também em 2002, em função de uma reestruturação interna, tivemos que cobrar dos controladores para que as informações essenciais para o acompanhamento do negócio continuassem a ser divulgadas.
Por último, pressionamos o controlador para que a companhia aproveitasse a vantagem fiscal advinda do pagamento de JCP. A resistência existia por conta do tratamento tributário diferenciado dado ao JCP recebido por estrangeiros. Isso tornava mais atraente para o controlador, ao contrário dos acionistas minoritários, a distribuição de lucros na forma de dividendos. Aqui, mais uma vez, foi necessário obter o esclarecimento do órgão regulador, que se posicionou favorável ao nosso pedido.
Em vista da grande evolução operacional por que passou a Iguaçú em 2002 e 2003, o valor patrimonial, bem como o preço de suas ações em bolsa, passaram a refletir de forma bastante adequada o valor justo que calculávamos para a companhia. Somando a isso a conclusão evidente de que havia baixo interesse da Iguaçú no mercado de capitais, iniciamos a negociação para alienar nossa posição ao controlador em fevereiro de 2004. Em agosto do mesmo ano, as negociações foram concluídas com a realização de uma OPA (oferta pública de aquisição).