Empresa Indústrias Villares/Elevadores Atlas
Setor Aços Especiais / Produtos e Serviços Industriais
Data de Início 31-Out-95
Data de Término 20-Mai-99
Entrada Cia. coligada
Saída Spin-off, IPO, venda para estratégico
Definições:
Data de Início: primeiro lote de ações comprado.
Data de Término: último lote de ações vendido.

Elevadores Atlas era uma divisão de Indústrias Villares, que funcionava ao mesmo tempo como holding e empresa operacional. O negócio principal de Villares era a fabricação de aços especiais. Havia outros, mas sem uma sinergia clara entre si. Isso tornava a empresa pouco atraente para o mercado. Consequentemente, suas ações negociavam a preço muito abaixo do que a soma dos seus diferentes negócios valia.

A geração de caixa de Elevadores Atlas provinha da venda e da manutenção de elevadores. Sua base instalada era de mais de 40 mil unidades. O negócio tinha diferenciais especiais e que contribuíam para sua atratividade. Em primeiro lugar, 70% da receita eram provenientes da área de manutenção, característica que protegia o negócio de problemas econômicos. Seu capital de giro era totalmente financiado por clientes, já que eles começavam a pagar pelos elevadores ao menos seis meses antes que Atlas tivesse de entregá-los - fruto da configuração dos contratos de construção civil. A divisão era bem administrada e líder de mercado. Havia também alta barreira ao ingresso de novos concorrentes. Tudo isso implicava num fluxo de caixa dos mais estáveis. Ou seja, era um ótimo negócio escondido dentro de um conglomerado pouco atraente, e que poderia apresentar oportunidade única.

No início de 1995, Indústrias Villares encontrou-se em situação crítica de caixa e seus controladores tiveram que aceitar dois novos acionistas: Sul América e Acesita. Ambos capitalizaram a empresa, com a subscrição de ações ordinárias, e dividiram o controle com a família Villares.

A IP, que já estava atenta aos diferenciais de Atlas, percebeu que a nova estrutura não era estável. Acesita estava interessada somente no negócio de siderurgia, enquanto Sul América era um player financeiro, em busca da melhor alternativa para realizar lucro e abandonar o negócio. Era a oportunidade que esperávamos.

Estava claro que Elevadores Atlas era a parte mais rentável da companhia - e que uma cisão seria eficaz para liberar seu valor. Acreditava-se que isso poderia ser alcançado com a nova estrutura de controle. A IP decidiu então iniciar o investimento.

Em outubro de 1995, foram adquiridas posições em ações preferenciais de Indústrias Villares no mercado. Em seguida, nos reunimos com o presidente da holding e com o dirigente da Divisão Atlas para discutir a idéia de uma cisão. Os outros acionistas aprovaram a proposta. Conforme esperado, mostraram interesse em liberar o valor daquela divisão, e concordaram que a cisão era o melhor caminho para alcançar o objetivo.

Após os procedimentos necessários de reestruturação, em fevereiro de 1998 Elevadores Atlas foi totalmente separada dos outros negócios de Indústrias Villares. A IP ajudou a torná-la uma verdadeira corporation, com práticas modernas de governança corporativa e proteções adequadas para seus acionistas. A nova empresa foi capitalizada apenas com ações ordinárias, algo incomum no Brasil. Seu estatuto proibia transações entre partes relacionadas e determinava que 50% do lucro fossem distribuídos como dividendo.

A nova companhia era controlada por um grupo diferenciado de acionistas, por meio de um Acordo de Acionistas que dava à IP o direito de nomear um membro para o Conselho de Administração.

O Conselho concentrava esforços na estrutura de incentivos e em decisões estratégicas para o negócio, o que incluía discussões que motivaram a administração a procurar uma aliança no exterior.

Em 1999, foram iniciadas negociações que resultaram na venda de Elevadores Atlas para Schindler. O preço foi quase 100% maior do que a cotação em bolsa na época.

Elevadores Atlas foi um dos mais bem-sucedidos casos de investimento da IP, desde a montagem de posição até a participação ativa em todas as fases do processo de reestruturação e posterior venda.

O capital inicialmente alocado nesta operação foi multiplicado em mais de 10 vezes em apenas três anos e meio.

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