Empresa Lojas Renner
Setor Varejo
Data de Início 14-Set-94
Data de Término 19-Jan-99
Entrada Debêntures conversíveis
Saída Negociação com controladores
Definições:
Data de Início: primeiro lote de ações comprado.
Data de Término: último lote de ações vendido.

Lojas Renner era uma empresa familiar ineficiente até a contratação de um dos mais talentosos executivos do Brasil, José Galló. Foi ele quem transformou esta empresa do sul do País numa das grandes forças do varejo nacional.

As mudanças tiveram origem em pesquisas e experiências que levaram a conceitos radicalmente novos e de eficácia comprovada quando implantados na principal unidade de Lojas Renner.

A IP iniciou o investimento com a compra de debêntures conversíveis emitidas em 1994. As ações tinham então pouca liquidez, como reflexo da distância entre empresa e mercado.

Entre 1994 e 1998, a IP manteve contato estreito com Lojas Renner. Procurou colaborar, entre muitas coisas, no aprimoramento da comunicação com o mercado (nacional e internacionalmente) e na implementação de planos de incentivo a executivos alinhados com os acionistas. Estas iniciativas se somaram a um excelente desempenho operacional, o que elevou o preço da ação em 1150% em menos de três anos, atingindo o pico de R$60 por ação.

O mercado reconhecia os avanços de Renner até que vieram as crises asiática e russa. As ações despencaram apesar da empresa continuar com resultados operacionais consistentes.

A queda foi encarada como grande oportunidade pela J.C. Penney. A gigante internacional do varejo contactou a família Renner e adquiriu participação controladora na empresa. No mesmo dia, publicou nos jornais oferta pública para compra de 70% das ações preferenciais a um preço médio de R$ 23,71.

As condições da oferta eram extremamente desfavoráveis aos minoritários. Em primeiro lugar, o preço era muito baixo. Além disso, apesar da J.C. Penney ter declarado a intenção de fechar totalmente o capital de Renner, a oferta na prática deixaria grande parte dos acionistas ilhados e sem liquidez. A IP decidiu chamar atenção da CVM e iniciar um processo de organização e coordenação dos minoritários.

Seguindo ordem da CVM, a oferta foi cancelada. Duas semanas depois, J.C. Penney apresentou nova proposta, de R$ 25,00. A maioria dos acionistas aceitou a oferta. A IP decidiu recusá-la. O preço continuava pouco atraente e a relevância do investimento justificava alocar tempo e esforço na procura de uma saída mais vantajosa.

A IP então tornou pública sua decisão de recusar à oferta de R$ 25,00. Simultaneamente, uma nova aliança foi firmada com investidores igualmente descontentes. Com nossas participações combinadas elegemos um membro para o Conselho de Administração. Foi possível também convocar Assembléia Geral Extraordinária, que instituiu um Conselho Fiscal para o qual indicamos dois membros. Com essas medidas, obtivemos uma posição mais forte para negociar com o novo controlador.

Em janeiro de 1999, os representantes de J.C. Penney voltaram a entrar em contato com o objetivo de adquirir o nosso bloco de ações. Depois de algumas semanas de negociações, a participação foi vendida por R$ 37,61 por ação, valor 60% acima da oferta inicial. Também houve pagamento de dividendos de R$ 1,32 por ação.

Apesar das imperfeições do ambiente regulatório e da falta de respeito pelos acionistas minoritários, fechou-se um ciclo de investimentos com resultados amplamente positivos para o IP-Participações.

O caso Renner foi um divisor de águas no mercado de capitais brasileiro. Ele inspirou novos regulamentos e maior conscientização sobre problemas e oportunidades entre legisladores, investidores e empresas.

Junto com Varga, nos ajudou a trazer mais atenção para a importância do tag along1. Como resultado de esforços posteriores, Saraiva se tornou a primeira companhia brasileira a conceder tag along para ações preferenciais, em fevereiro de 2000. A carteira do IP-Participações, que não possuía tag along em nenhuma de suas posições em 1999², agora os registra em mais de 60%.

Outras companhias abertas seguiram o mesmo caminho, ainda que mais lentamente. Em novembro de 2004, 27% das companhias listadas na Bovespa concediam tag along a seus acionistas, contra 0% em 1999.

1 Direito de venda de posição a pelo menos 80% do valor ofertado aos acionistas controladores, no caso de troca de controle.
2 Nenhuma empresa do mercado brasileiro concedia tag along em 1999.

Disclaimer

Este site tem o único propósito de divulgar informações e dar transparência à gestão executada pela Investidor Profissional, não deve ser considerado como oferta de venda de cotas de fundos de investimento ou de qualquer título ou valor mobiliário e não constitui o prospecto previsto na Instrução CVM 409 ou no Código de Auto-Regulação da ANBID.

Fundos de Investimento não contam com a garantia do administrador do fundo, do gestor da carteira, de qualquer mecanismo de seguro ou, ainda, do Fundo Garantidor de Créditos - FGC.

A rentabilidade obtida no passado não representa garantia de rentabilidade futura.

Para avaliação da performance do fundo de investimento, é recomendável uma análise de, no mínimo, 12 (doze) meses.

A rentabilidade divulgada não é líquida de impostos.

Nos fundos geridos pela Investidor Profissional a data de conversão de cotas é diversa da data de resgate e a data de pagamento do resgate é diversa da data do pedido de resgate.

Os fundos geridos pela Investidor Profissional utilizam estratégias com derivativos como parte integrante de sua política de investimento.

Tais estratégias, da forma como são adotadas, podem resultar em significativas perdas patrimoniais para seus cotistas, podendo inclusive acarretar perdas superiores ao capital aplicado e a conseqüente obrigação do cotista de aportar recursos adicionais para cobrir o prejuízo do fundo.

Ao investidor é recomendada a leitura cuidadosa do prospecto e do regulamento do fundo de investimento ao aplicar os seus recursos.

A Investidor Profissional não se responsabiliza pela publicação acidental de informações incorretas, nem por decisões de investimento tomadas com base neste material.

Os fundos de ações com renda variável podem estar expostos a significativa concentração em ativos de poucos emissores, com os riscos daí decorrentes.