Empresa Saraiva Livreiros
Setor Varejo
Data de Início 25-out-97
Data de Venda 12-abr-06
Definições:
Data de Início: primeiro lote de ações comprado.
Data de Venda: Data da oferta pública.

A Saraiva nos chamou atenção pela primeira vez em 1995. Já naquela época, a empresa possuía ativos de grande qualidade: era editora líder em livros jurídicos e crescia rapidamente no segmento de didáticos. Sua rede de livrarias era a que mais faturava no setor e havia sinais de que os controladores e executivos eram competentes, experientes e conheciam muito bem o mercado de livros no Brasil.

A empresa tinha receita de US$130 milhões ao ano e uma geração operacional de caixa (EBITDA) de US$20 milhões. Não era endividada - ao contrário, mantinha US$10 milhões em caixa. O valor de mercado da Saraiva em 1995 girava em torno de US$ 40 milhões, o que indicava múltiplos de EV/EBITDA de apenas 1,5. Suas ações,apesar da baixa liquidez, representavam uma clara oportunidade.

Começamos a comprar pequenos lotes já em 1995. Neste período tivemos nossa primeira reunião com Ruy Gonçalves (Diretor Superintendente) e Jorge Saraiva (Presidente do Conselho de Administração). Apresentamos a IP, mostramos o trabalho que estávamos fazendo com Lojas Renner e o potencial que havíamos identificado na Saraiva. A receptividade dos dois foi encorajadora. Através deles soubemos que um grande acionista estava interessado em vender sua participação. Poucos meses depois havíamos adquirido 40% do lote e acumulado uma posição de tamanho adequado ao IP-Participações.

A partir de então intensificamos nosso relacionamento com a empresa. Nossa atuação era concentrada na discussão de questões como estrutura de capital, potencial de aquisições, políticas de remuneração de executivos, comunicação com o mercado e governança corporativa, entre outros. Assim como em outros investimentos da IP, havia um esforço grande em convencer os controladores da Saraiva da importância da proteção dos acionistas minoritários. Naquela época, no entanto, a argumentação não passava da teoria para as empresas. Não havia exemplos práticos, como hoje, de que ao proteger o acionista a empresa seria recompensada com uma melhor avaliação das suas ações.

No ano 2000 os controladores da Saraiva decidiram tomar um passo pioneiro para o mercado de capitais brasileiro. Permitiram a migração voluntária dos seus acionistas preferencialistas para uma nova classe de ações com direito ao tag along.

Apesar dos avanços operacionais e de governança corporativa, ainda havia preocupações em relação à Livraria. Escondida atrás da rentabilidade do negócio da Editora, a Livraria demorava para se desenvolver. O negócio ainda sofria com os problemas causados pela crise no Brasil em 2002, que levou ao forte aumento dos custos de aluguel (que são atualizados pelo IGP-M) enquanto o varejo vivia um momento de altas taxas de juros e aversão ao consumo.

Em abril de 2005, decidiu-se pela contratação de Marcílio Pousada como novo CEO, com experiência em varejo pela Wal-Mart Brasil, Submarino e OfficeNet. Contratou-se também um novo diretor de compras e novo diretor de marketing. Esse time deu prosseguimento à recuperação dos resultados da Livraria. Na parte de custos e despesas, renegociaram contratos de aluguel e consignação de livros. Na parte de vendas, houve evoluções no layout das lojas, marketing de produtos e uma renovação na operação de vendas pela internet. As vendas começaram a se recuperar fortemente a partir da metade de 2005.

Ganhos de rentabilidade aconteceram também na Editora, com a isenção de PIS/COFINS sobre vendas de livros e pela boa performance das vendas ao governo. Dessa forma, o ano de 2005 fechou com lucro recorde, o dobro de 2004.

Ainda assim, as ações permaneciam negociadas com preços muito baixos. A principal justificativa era a baixa liquidez das ações. A IP detinha 50% das ações preferenciais da Saraiva, restringindo o seu free float para 23% do capital total. Concluímos que a única forma de resolver definitivamente o problema seria pulverizar uma parcela das nossas ações a mercado a preços que, apesar de embutir parte dos ganhos com a evolução operacional, ainda seriam atraentes para seus compradores.

Em abril de 2006 foi realizada uma oferta de US$ 80 milhões, onde a IP vendeu 50,1% de suas ações. A operação foi um sucesso. O preço final ficou em R$22 por ação, uma significativa recuperação se considerarmos os preços observados em 2005. A operação mudou a empresa de patamar como companhia de mercado. No âmbito da oferta, a Saraiva aderiu ao Nível 2 da Bovespa, dando mais um passo decisivo no sentido da proteção dos minoritários.

A liquidez observada das ações após a oferta é de cerca de US$ 1 milhão por dia, contra US$50 mil por dia seis meses antes. A oferta de varejo contribuiu para o aumento do número de acionistas preferencialistas de 492 para 5.620 investidores. A empresa passou a ser acompanhada por um número maior de analistas, e investidores, dentro e fora do Brasil. Isso tem um efeito positivo para a gestão da empresa, que passa a depender do crivo de um número maior de investidores qualificados.

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